A vossa vala comum: carta aos governantes do país e da Europa onde nasci

(Alexandra Lucas Coelho, in Público, 08/04/2025

(Um grande bem-haja para a autora deste texto pela coragem de denunciar as atrocidades monstruosas de Israel que sendo descomunais, muita gente, tal como eu, julga que o não são tanto. E pelo o libelo de dedo erguido contra os nossos políticos, cobardes, coniventes com a mortandade e benzendo-a com o seu silêncio cúmplice. A autora é lapidar:

“A Europa é a vergonha da democracia, sua suposta mãe e sua coveira. O Mal está sempre por toda a parte, mas a diferença de Gaza, do ponto de vista de quem nasceu aqui, é que a Europa gerou este último resquício do colonialismo, o alimenta em contínuo, é a sua escrava e agora vemos tudo em directo.”

Estátua de Sal, 10/04/2025


Ao longo deste ano e meio quis esperar que algo ainda acontecesse dentro dos líderes europeus. Algo revelado por este Apocalipse. Tarde, insuficiente, mas algo. Já não o espero agora.


Gosta da Estátua de Sal? Click aqui

O primeiro livro da Europa — que é também a sua primeira guerra — começa com a palavra “Mēnin”: Cólera. Vinte e oito séculos depois, as piras dos mortos continuam a arder sem parar. Mas não só as dos mortos: as dos vivos, também. Vivos queimados vivos (um jornalista na sua tenda de deslocado ontem à noite). Talvez ainda vivos sepultados como mortos (quantos dos paramédicos que ouvimos rezar anteontem, quando já eram só vozes resgatadas das cinzas, gravando-se a si mesmas ao morrer?).

A cólera canta: vinte e oito séculos depois da Ilíada, as piras são dos mortos e dos vivos por toda a Palestina. Ardem no instante em que escrevo, 7 de Abril de 2025. E agora é a vós que me dirijo, governantes do país e da Europa onde nasci.

Esta noite mesmo, num palácio neoclássico, um presidente da Europa recebe uma presidente da Ásia, ambos com uma história ancestral de 500 anos em que representam colonizador e colonizada. O meu nome estava na lista de convidados por eu ter feito uma viagem para escrever um livro sobre essa Ásia, com as suas próprias piras de mortos, multicoloniais e pós-coloniais (um dos livros que Gaza adiou). Quando li o email do convite, imaginei que podia ser um ritual interessante de observar, a parte palaciana do terreiro em que os mortos falam vivamente aos vivos, se os ouvirmos. E ao mesmo tempo pensei que Gaza estava ali como está em toda a parte. Então, eu iria à cerimónia: levando ao pescoço uma meia-lua com as cores da Palestina e uma carta para o anfitrião. Uma pequena carta manuscrita, porque desde o 7 de Outubro publiquei dezenas de textos sobre este genocídio e a cumplicidade da Europa onde o presidente já foi visado, não seria necessário alongar-me. Sendo ele o chefe de Estado do país onde nasci, agora tratava-se só de 1) dizer que pela primeira vez me passara pela cabeça renunciar à cidadania portuguesa, e portanto europeia, a única que tenho 2) pedir um gesto imediato para a História, que está a ser escrita todos os dias.

A meia-lua que eu ia levar ao pescoço é uma fatia de melancia, símbolo alternativo da Palestina, feita de missangas. Por acaso, no mesmo lugar africano em que há 500 anos um piloto asiático embarcou na nau de Vasco da Gama para o guiar até à Ásia. O acaso é um deus em que acredito. Temi, porém, que o significado da melancia pudesse não ser claro para alguns dos presentes no palácio, nomeadamente os chefes de Estado. Por isso comecei a desdobrar a Palestina pelo suporte em movimento que seria eu própria. Vestiria uma roupa preta, um casaco verde e o fio da melancia seria branco. Levaria um keffiyeh como cachecol, que ficaria no bengaleiro, chamejando no meio dos abafos. E finalmente: ia bordar uma bandeira para pôr na lapela. Nunca bordei mas tenho bordados da Palestina talvez desde a primeira vez que fui lá, faz este Abril 23 anos. O bordado são os vestidos, as almofadas, as casas da Palestina. As mãos de pessoas que estarão onde agora?

Foi assim que num dia de dilúvio fui a uma linda retrosaria de Lisboa, comprei um retalho de linho, esse tecido que já estava na Ilíada, um bastidor de madeira, uma caneta própria, agulhas de diferentes tamanhos e quatro mechas de fio para bordar com as cores da Palestina. Essas mechas têm uma cinta de papel escrita em japonês, vieram mesmo do Japão, disse a senhora que me atendeu. De volta a casa, quando as dispus na mesa, pensei: Hiroxima. Porque penso em Hiroxima quando penso no Japão, e porque na estante Israel/Palestina tenho Hannah Arendt junto a Günther Anders, o filósofo também judeu que com ela foi casado, autor de Nós, Filhos de Eichmann mas também de Hiroxima Está em Toda a Parte. E só no instante em que escrevo esta frase, hoje, 7 de Abril, já noite, me apercebo de que a primeira vez que escrevi “Gaza está em toda a parte” (num texto de 5 de Outubro de 2024), não pensei em Günther Anders. Estava muito longe de casa, naquela parte da Ásia de que falei acima, no meio de mil e quinhentos milhões de pessoas. Talvez a frase tenha vindo por causa delas. Mas por trás delas talvez estivesse a memória dessa lombada.

Quando o palestiniano Mahmoud Darwish escreveu sobre os seus dias em Beirute debaixo das bombas israelitas, também pensou em Hiroxima. Hiroxima estava em Beirute e agora Gaza está em Hiroxima. Ao voltar da retrosaria e de Lisboa, eu olhava a minha mesa e aqueles fios para bordar ligavam Gaza e Hiroxima: vermelho, verde, branco, preto. O que fazemos com as mãos fica na memória do corpo. Torna-se parte do que é cada corpo, e só ele é, até ser interrompido para sempre. Desde que comecei este texto, quantos em Gaza? A todo o momento. A todo o momento que pegamos no telefone, se quisermos.

E o que aconteceu anteontem, pouco antes de enfiar o primeiro fio na agulha, foi que peguei no telefone e vi aquelas gravações. Vi aquelas ambulâncias, aqueles símbolos de emergência, de socorro humano, todas aquelas luzes ligadas, faróis na noite de Gaza, avançando sem medo, apesar do Mal. E depois ouvi o Mal, ali, como se estivesse na minha cozinha, nitidamente captado pelo telefone do homem que rezava, o homem que via a sua própria morte, o homem que se despedia da mãe, que pedia desculpa por ter escolhido aquele caminho: salvar vidas. Ouvi as rajadas dos que metralhavam a torto e a direito, cérebros lavados ao longo de anos para fuzilar em série, para verem qualquer palestiniano como muito menos do que os belos animais que àquela hora talvez se passeassem por Telavive, a noctívaga, a necro-sexy. Por vezes, pela trela de humanos veganos incapazes de comer até um ovo, militantes contra o sofrimento dos animais.

Ouvi os paramédicos que iam morrer e os que já tinham morrido embora o telefone ainda estivesse a gravar. Sabemos que o Mal abriu uma vala comum, enterrou 15, alguns talvez ainda vivos, depois destruiu as ambulâncias e também as enterrou. Até que o socorro do socorro desenterrou tudo, apareceram as gravações. O Mal reconheceu que mentira, como há um ano e meio mente. Há 58 anos mente. Há 77 anos mente. A guerra de há mais de cem anos contra a Palestina. A vala comum dos paramédicos foi só aquele momento em que o ponteiro bate no zénite porque vem de antes há muito. Há muitos mortos. E de repente eu estava ali na cozinha com o telefone na mão e tinha deixado de ser possível, sequer, estar naquele palácio da Europa, mesmo que em protesto. Sentar-me entre eles, eleitos que continuam como se nada fosse, que contribuem para que nada seja. Foi depois disso que pensei nesta carta, extensível a todos os que desde 7 de Outubro foram ou são governantes na Europa, com muito poucas excepções, sobre as quais também escrevi.

Ao longo deste ano e meio quis esperar que algo ainda acontecesse dentro dos líderes europeus. Algo revelado por este Apocalipse. Tarde, insuficiente, mas algo. Já não o espero agora. O carniceiro procurado pela justiça foi à Hungria, que lhe estendeu o tapete vermelho, pisou nas Nações Unidas, no Tribunal Penal Internacional. Continua a ser União Europeia lá. E, à cabeça da União Europeia, o novel chanceler já tem o seu tapete à espera do carniceiro. Que no dia em que escrevo estava de volta à Casa Branca, ao narcisopata que resume Gaza como “um incrível pedaço de imobiliário”.

Que Nações Unidas? Que Direitos Humanos?

Hoje, 7 de Abril, um ano e meio depois do 7 de Outubro, é a escravos de nazis que me dirijo. Não escravizados por outros, escravos por vontade própria. Vemos sobre-humanos na Palestina que continuamente nos dão provas de vida e do que a mata. Vemos o desfecho do sionismo, esse fruto monstruoso do monstruoso anti-semitismo europeu. E vemos os menos-que-humanos que sois vós, os untermensch: todos os eleitos que nada fizeram desde 7 de Outubro. Aqueles que perderam a Segunda Guerra Mundial em Gaza. Os que capitulam perante o triunfo dos porcos. Que atacam pró-palestinianos hoje como atacaram judeus ontem e continuam a atacá-los hoje. Que censuram, agridem, prendem, deportam. Os que se tornam nazis no meu tempo de vida. Enquanto os EUA, também usando judeus como arma, assistem à sua própria derrocada.

Tenho 57 anos. Nasci no ano em que Israel ocupou Gaza, Cisjordânia, Jerusalém Oriental. Tive a sorte de ainda ter visto a URSS, saber o Mal que era. Não ter dúvidas sobre o Mal que Putin é. Que a Arábia Saudita é. Que o Irão é. Não perdoarei quem enriquece com os tiranos a jeito e deixou a defesa da Palestina aos ayatollahs. O Irão ser o aliado da Palestina é a vergonha da Europa.

A Europa é a vergonha da democracia, sua suposta mãe e sua coveira. O Mal está sempre por toda a parte, mas a diferença de Gaza, do ponto de vista de quem nasceu aqui, é que a Europa gerou este último resquício do colonialismo, o alimenta em contínuo, é a sua escrava e agora vemos tudo em directo. Nada, nunca, teve estas características. Tal como nunca a Europa desceu tão baixo, caiu tanto para o mundo. A vala comum dos 15 paramédicos é a vossa. A vala comum da Palestina é a vossa. Vós: os sem coluna e sem futuro.

Isto não é a mala diplomática. Não é um apelo, já. Talvez seja um presságio e ainda não uma maldição. Escrevo em plena campanha eleitoral para o que será o terceiro governo português desde o 7 de Outubro. Ainda vou votar. Ainda acredito na democracia. Ainda não passei à clandestinidade nem estou na guerrilha. Sou essa privilegiada, ainda. E se me passou pela cabeça renunciar a ser portuguesa, europeia, o que só será possível se adquirir outra nacionalidade, hoje, 7 de Abril fiquei mais longe disso, ao lembrar-me do pensamento ancestral do que se veio a chamar Brasil, a acumulação de outras cabeças. Ampliar e não subtrair. E porque haveremos nós, que vemos Gaza em toda a parte, deixar a Europa aos coveiros da Europa? Estou aqui com Homero, Arendt, Anders, Darwish, como estou com Dante guiado por Virgílio, Goya pintando os fuzilados, Pasolini contra o fascismo.

Vós, oposto de tudo isso, sois a negação do melhor que a Europa pode deixar às suas crianças. Não peço que olheis as de Gaza, muito menos aquela decapitada que ontem vi, porque ao vosso racismo, ou cobardia sem remédio, 18 mil crianças (ou sabemos lá quantas mais) não mudaram nada até hoje.

O presságio é só este: olhem nos olhos das vossas crianças.


27 pensamentos sobre “A vossa vala comum: carta aos governantes do país e da Europa onde nasci

  1. Infelizmente isto é mesmo a preto e branco e se quisermos associar o preto a escuridão, trevas, morte, sem dúvida Israel e o preto.
    O sionismo e a outra face do nazismo e uma teoria supremacista e homicida.
    E sim, a Biblia está lá queiramos ou não. O secularismo e uma hipocrisia justamente para nos fazer pensar que são melhores que os sauditas ou os iranianos que proclamam a sua ligação a religião em todas as vertentes da vida.
    Agora quando os judeus enterram gente viva, torturam e matam em prisões de extrema crueldade, quando se gabam do que fazem e mesmo a religião que os move. A religião cruel que lhes disse que Deus lhes deu aquela terra e que para que a tenham quem lá vive tem de morrer.
    E e fácil essa hipocrisia pois que e muito mais prático usar calças de ganga que trajes tradicionais judaicos ou islâmicos.
    E, claro, poder beber uns baldes de whisky e fumar umas coisas que isso até dá mais coragem a soldadesca quando se trata de torturar e matar.
    Mas sao os próprios dirigentes israelitas que invocam textos religiosos para justificar as atrocidades que estão a cometer.
    Como quando Netanyahu disse que daria aos palestinianos de Gaza o destino biblico dos amalequitas.
    Que segundo a Bíblia foram massacrados nem tendo sido poupados os seus animais, tendo o seu rei sido retalhado por um sacerdote enlouquecido, Samuel de seu nome.
    A religião está lá e justifica os crimes. Com algum secularismo a mistura que faz as Ferra Aveia deste mundo que assim se sentem próximas dos assassinos porque alegadamente eles sao seculares ao contrário das suas vítimas.
    Não, não sao seculares porra nenhuma e prosseguem uma guerra santa contra os vizinhos, sejam muçulmanos ou cristãos.
    Sao sem conta os monumentos cristãos que essa gente já destruiu, propositadamente, não só em Gaza mas no Líbano e na Síria.
    Se não e a religião que os move nessa destruição é o que?
    Eram seculares os que sacrificaram animais na Esplanada das Mesquitas?
    Ha uns tempos, a propósito de um alarve que cuspiu num padre cristão andaram a perguntar nas duas de Israel se tal era correcto. A maior parte deles responderam que deviam era matar os cristãos ou nao os deixar exercer a sua religião nem em Israel nem em territórios ocupados.
    Se ainda permitem e justamente para se mostrarem melhores que o Irão ou a Arábia Saudita.
    Por mim podem enganar quem queiram. Mas seculares são tanto como era Khomeini.
    E em Israel quem não tem religião nem tem direito a ser enterrado. Schindler passou mais de um mês no frigorífico até que saisse dos entrefolhos do dirigente luterano a quem competia passar a declaração que o reconhecia praticante daquela religião passa la.
    Isso é um secularismo tão bom como o da Arábia Saudita e sai mesmo eles que se definem como um estado judeu. Religioso.
    E guerreiro, tal como há quatro mil anos. Homem ou mulher não faz nada na p*ta da vida se não passar pelo exército.
    São e mais espertos ou teem muito menos vergonha no focinho.
    Alias, vergonha naqueles focinhos não teem nenhuma.

  2. Quando falei da génese de Israel ser secular, mais do que religiosa, foi para destrinçar e evidenciar a diferença com o regime Saudita, uma monarquia absolutista e de índole teológica (islâmica e sunita), ou até mesmo, em grau menor, do Irão, onde a teologia islâmica xiita tem um papel central, mesmo havendo sufrágio e não sendo uma monarquia absolutista – já foi, mas com a revolução islâmica foi abolida e os ayatollahs obtiveram a proeminência do regime, transformando-o numa república islâmica, ou seja, teológica.
    Foi para se perceber essas diferenças, que parecendo superficiais ou meras nuances, permitem perceber algumas coisas. A religião tem muito peso em qualquer um desses países, mesmo com a diferença entre regimes, e é uma das componentes agregadoras da identidade nacional desses países, o judaísmo, o sunismo e o xiismo, quase um requisito. Quem não seguir essas religiões em cada país torna-se praticamente um cidadão de 2.ª ou 3.ª categoria, mas não da mesma forma.
    A ideologia que levou à (re)criação do estado israelita foi o sionismo, e as condições históricas que o propiciaram foram as consequências da II Guerra Mundial. O papel dos religiosos foi menor do que o papel dos “activistas políticos” sionistas, dos seus agentes politizados e sobretudo dos seus financiadores e mecenas. Obviamente que também houve religiosos a colaborar com o movimento sionista, mas este não é em si mesmo um movimento religioso, e sim político e social, ideológico.
    Um sionista é, quase sempre, um judeu (mesmo que pouco ou nada religioso ou praticante da religião). Também há sionistas cristãos, como nos EUA os mais recentes hiPOpoTamUS assumem ser, Biden e Trump, fornecendo armas e dinheiro e logística e informação a Israel, mas o sionismo é um movimento associado aos judeus, de emancipação, empoderamento, independência patriótica – uma pátria judaica para o povo judeu (se bem que ser judeu não é uma nacionalidade, e sim uma identidade religiosa que se confunde com uma identidade étnica, genética, e claro que é discutível que os Ashkenazi sejam descendentes directos dos hebreus e das 12 tribos judias originais, de todos talvez sejam os menos próximos, comparados com os sefarditas, sabras ou mesmo os judeus etíopes e africanos).
    Alás, é talvez a maior relação o sionismo com o nacional-socialismo, politicamente, pois que ambos desprezam a espiritualidade religiosa bíblica e favorecem o poder da força e a força do poder, e elegem um grupo étnico específico, num caso os judeus, no outro os arianos, e em diferentes graus de pureza (à semelhança das leis de Nuremberga).
    Portanto, foi esse o meu ponto, destrinçar a essência da política de Estado de Israel, separando a componente laica da componente religiosa para melhor perceber como se intersectam, complementam ou opõem, algo que não é fácil de perceber ao longe e à vista desarmada, com toda a propaganda e desinformação. Da mesma forma que não confundo o Islão com o regime (teológico) Saudita, mesmo arvorando-se no bastião do Islamismo, ou com o regime Iraniano (ariano, mas isso é outra história, mais antiga, relacionada com os povos indo-europeus, os persas, etc), por muito que se digam os mais fidedignos e fiéis seguidores de Alá e representantes do Islão.
    Em todas as religiões (ou quase) existe o princípio do combate espiritual, existe a jihad no Islão, os cristãos tinham a guerra santa que foi o mote para as cruzadas, algumas lançadas por Papas, outras por reis, outras mais espontâneas. Os judeus durante quase 2 milénios ou 19 séculos viveram na diáspora e sem uma ideologia nacionalista que os agregasse, e o sionismo preencheu esse vazio. Hoje o que fazem tem uma dimensão existencial e secular, não é tanto uma guerra santa ou bíblica, até porque pouco une os actuais israelitas aos antigos, até a língua ídiche é uma língua germânica, um dialecto com expressões e palavras hebraicas escritas com o alfabeto hebreu, e o hebraico é uma língua quase morta e em desuso, excepto pelos estudiosos e discípulos canónicos, como o latim, que estão a tentar revitalizar e retomar como língua oficial do estado de Israel, numa tentativa artificial de mimetizar o passado.
    Reduzir tudo a preto e branco é o que fazem as agências de desinformação e propaganda, espalhando ignorância, promovendo o maniqueísmo, os puros e os impuros, os bons e os maus sem tons de cinzento, e promovendo conceitos falaciosos e clichés absurdos, parciais e incoerentes.

  3. Já agora, tenham um tempinho para ler o texto de uma autora chinesa no Resistir sobre a necessidade que temos de nos unir contra o Mal que se ergue do outro lado do mar.
    Claro que a cambada de psicopatas que manda na Europa nunca o fará mas isto dá a ideia do bom bico de obra que temos a aviar.
    Se há Mal, com letra grande de certeza que está ali, aliás, sempre esteve, nunca os vi como farol da democracia nem de porra nenhuma.
    E não, não basta dar um tiro no Tiranossauro para tudo voltar ao “normal” porque nunca a actuação dos Estados Unidos o foi, como as destruições totais da Libia e da Síria provaram.

  4. As opiniões são como as cerejas. Eu continuo com a minha. Não havia necessidade de chamar a colação outros desafectos do Ocidente definindo os como o Mal para criticar o hediondos genocídio dos palestinianos.
    Uma crítica com a qual concordo porque a crueldade israelita e a crueldade de quem lhes dá impunidade dao realmente esse desespero evidenciado no texto.
    Por isso não detonei todo o texto mas aquelas quatro frases perfeitamente escusadas e que pareciam querer apaziguar um pouco as bestas feras que apoiam Israel.
    O problema é que nem valia a pena pois que gente como o Tiranossauro quer obediência total e absoluta.
    O inenarrável traidor cubano Mark Rubio definiu como “lunáticos” todos os que se levantam contra o genocídio.
    Enfim, as opiniões são como as cerejas e todos temos as nossas e e assim que deve ser contra este espírito de borregos que nos querem impor e que, apesar da tal colher de alcatrão reconheço que a autora não tem.
    Defender a Palestina e hoje mais perigoso que nunca e ainda bem que há ainda quem o faça mesmo que ache que precisa estender uma ponte.
    Acho que com pontes ou sem elas ganhamos o mesmo porque para esta gente só vale a submissão total como prova o questionário dirigido a universidades portuguesas ou as cartas enviadas a empresas exigindo o abandono de políticas de inclusão e diversidade, suponho que tal signifique o despedimento de mulheres ou negros, sob pena de não poder continuar a vender para os Estados Unidos.
    O Tiranossauro quer também o abandono de práticas de proteção do ambiente e isto sim, tudo isto é o mal absoluto e eu nem sequer sei se o nosso mundo vai sobreviver a quatro anos disto.
    O que talvez não me dê paciência nenhuma.
    Mas o mundo precisa unir se contra essa loucura e para isso não podemos andar a definir ninguém como o Mal, com letra grande.
    Uma coisa e discordar mos e eu estou nos antípodas de regimes confessionais como o do Irão.
    Tive muitas criticas a Putin nomeadamente a de nao ter acordado logo em 2014 o que teria evitado ao seu povo e até ao ucraniano muito sofrimento.
    Mas definir gente que está sob a mira do Tiranossauro, como o Irão, como “o Mal” era escusado principalmente quando vemos o mar absoluto a erguer se do outro lado do mar.
    Já agora, o secularismo israelita, mais propriamente sionista, e uma fraude. Uma fraude criada justamente para que no Ocidente os achassemos iguais a nós ao contrário daqueles árabes que ainda usam turbante.
    E esse suposto secularismo que faz muita gente ignorar a sua intolerável crueldade contra gente que apresenta muito mais sinais exteriores de seguir uma religião. A fraude funciona. Seculares contra fanáticos religiosos. Vao enganar o diabo que os carregue.
    Estou me nas tintas para se vestem calças de ganga, ouvem música rock e bebem whisky. A sua crueldade e bíblica, e antiga, de uma religião que lhes diz que a terra dos outros lhes foi dada por Deus.
    E isso que os dirigentes israelitas dizem desde que Israel la foi plantado. Se isso é secularismo vou ali já venho.
    Mas as opiniões são isso mesmo. São diferentes e ainda bem que assim e. Prova que o monolitismo ainda não abocanhou isto tudo. E enquanto tal não acontecer ainda resta um pouco de esperança. A última a morrer.

  5. Mas se para podermos romper o silêncio precisamos de andar a falar mal dos desafetos destes podres isso também não é vida.
    Sim, amigo Zé Povinho, e mesmo por aí.
    Mas eu e que não vou por aí até porque não tenho motivo algum para definir como o Mal quem nunca transformou o seu povo em cobaias humanas.
    Por mim o Mal absoluto estará sempre deste lado.
    Nos amigos que enterrei, na pessoa de quem cuido, no estilo de vida que tenho de levar para não virar um peixe seco.
    No terror que senti quando falavam em aplicar multas impossíveis de pagar a quem não fosse levar reforços atrás de reforços de uma coisa que me tinha feito ver a morte com enxada e tudo.
    No terror que e vermo nos entre a mala e o caixão.
    E se tal não se concretizou foi apenas porque demasiada gente morreu ou ficou estropiada. Tantos que vão puderam ser escondidos ou atribuídos a outras causas.
    E só porque demasiada gente morreu que ainda estou aqui e não a varrer ruas em Irkutsk.
    E arrepiante pensar que só estamos relativamente em paz na nossa terra porque muitos outros morreram. Outros de que não se falou, que não encheram hospitais pois que para muitos nem hospital houve.
    A quem coloca o Mal noutros lados para justificar uma coisa certa que diz só tenho uma pergunta a fazer “as vacinas da COVID correram te bem?”.

  6. Isso mesmo, não havia necessidade nenhuma de “justificar” a solidariedade com a Palestina, tão diabolizada por essa gente, da camarilha de Trump a muitos dirigentes europeus, metendo o pau noutros desafetos desta cambada.
    Aquelas frases foram mesmo uma colher de alcatrão e eu não mordo canelas, mas não tenho paciência para colheres de alcatrão.
    Ate porque para encontrar o Mal, com letra grande, bastaria ir aos troikanos, aos que nos transformaram em cobaias humanas com resultados terríveis e, a querer viajar a Males que já não existem nem precisava de sair de Portugal.
    A nossa longa ditadura protagonizou o Mal, miséria negra, o país mais pobre e atrasado de toda a Europa, tortura e morte de opositores e uma guerra em três frentes onde foi sacrificada toda uma geração ao longo de 13 anos.
    Muitos tirados dos campos onde passavam fome e que muitas vezes tinham nas botas da tropa o primeiro calçado que calçavam.
    Não era preciso ir aos desafetos da mesma cambada que assiste impavida e serena ao massacre dos palestinianos e continua a armar as maos dos assassinos.

  7. Gosto muito e de longa data dos trabalhos jornalísticos de Alexandre Lucas Coelho. O seu texto “A vossa vala comum: carta aos governantes do país e da Europa onde nasci” (8-04-2025) tinha tudo para ser perfeito e memorável, um barril de mel sob forma escrita.

    Mas foi impedido de o ser por quatro frases curtas, mas fatais, a colherzinha de alcatrão que corrompeu o mel do resto do barril — aquele grande e excelente resto que levou um dos seus leitores (Victor Salvador) a dizer, «um grito de desespero que ficou a ecoar no silêncio da minha leitura!»; e um outro (Joaquim Camacho) a comentar, «Gente que pensa e gente que sente. É um consolo poder ainda “tropeçar” em gente assim. É um desespero ter consciência da sua (crescente) raridade».

    As frases são as seguintes: [Tenho 57 anos] «Tive a sorte de ainda ter visto a URSS, saber o Mal que era. Não ter dúvidas sobre o Mal que Putin é. Que a Arábia Saudita é. Que o Irão é».

    É misturar alhos com bugalhos, distribuir muito mal o “Mal” pelas aldeias. Que tem um homem (o presidente da Rússia, Putin) e três Estados (URSS, Arábia da monarquia absoluta saudita, Irão dos Ayatollahs), um dos quais já não existe (URSS) de comum relativamente ao “Mal”? Pois, quanto a mim, rigorosamente nada.

    Tinha pensado desenvolver este tema complexo e muito escorregadio num artigo de fundo, mas desisti depois de ler os judiciosos comentários aqui publicados. Acresce que Whale Project já disse o essencial sobre as 4 frases repulsivas. Por outro lado, não quero, como ele, ser acusado de «morder nas canelas» de Alexandra Lucas Coelho (ALC), muito menos quando ela levanta a sua voz tão veemente e corajosamente contra os assassinos sionistas dos Palestinianos e os seus cúmplices europeus.

    Mas sempre acrescentarei, salomonicamente, que o conselho do Diácono Remédios [«não havia nexexidade»] também se aplica à colherzinha de alcatrão que ALC nos administrou no decurso da sua bela prosa. Julgo que lhe estamos a prestar um bom serviço ao fazê-lo. Todos podemos errar e todos podemos corrigir os nossos erros, sobretudo em matérias tão melindrosas quanto esta.

    • “Mas sempre acrescentarei, salomonicamente, que o conselho do Diácono Remédios [«não havia nexexidade»] também se aplica à colherzinha de alcatrão que ALC nos administrou no decurso da sua bela prosa.”

      Concordo em absoluto. E também concordo em “que lhe estamos a prestar um bom serviço” ao chamar-lhe a atenção (se ela andar por aqui) para o prejuízo que a colherzinha de alcatrão provoca no que, sem ela, seria um cozinhado perfeito. Mas discordo da exagerada agressividade de um ou dois desabafos que aqui li, que equivalem, como disse, a deitar fora o bebé com a água do banho. Há já tão poucos combatentes bem “armados” e eficazes na trincheira antigenocida que se torna pouco inteligente gritar, com um só que seja, que não precisamos dele para nada por lhe faltarem dois botões na farda.

    • Querem saber o que é que eu, modesto Zé Povinho, penso? Hoje em dia a censura e o medo a ela associado são tão grandes, que, num mundo pretendido a preto e branco, não se ousa denunciar males do branco, sem se adiantar logo que não se gosta do preto!

  8. Pois, exércitos de comentadores e repetidores de propaganda em canais que frequentemente evocam o Massacre de Bucha, ainda hoje tão mal explicado mas mitificado como foram os Heróis da Ilha da Serpente, mártires que afinal nem sequer existiam, quanto mais deixaram de existir para defender o ilhéu sob fogo de artilharia pesada russa.
    Esses que enchem a boca com Bucha não arranjam tempo de antena e palavras para, nem que seja uma vez, ou muito de vez em quando, evocarem atrocidades como essa de assassinarem médicos e depois os enterrarem, alguns talvez ainda vivos, e às suas ambulâncias, para assim não terem que justificar a exposição da desumanidade? E não é que tenha sido a primeira vez que o fazem com médicos, socorristas deslocando-se em ambulâncias, ou pessoal civil da ONU, ou jornalistas… Para não mencionar as crianças e mulheres palestinianas, que essas são grandes parte das vítimas da chacina sionista. Mas sabemos o que move a comunicação social de massas e os políticos amestrados e sem coluna vertebral que pululam por aí, auto-intitulados “democratas moderados”, que apoiam todo o belicismo e toda matança da autoria dos seus tutores e padrinhos. São “princípios e valores comuns”, entre eles… não serão os de muito boa gente, que não se revê em idiotas úteis, espantalhos e bonecreiros, e não quer ser marioneta desta gente, e com toda a legitimidade ética, moral e constitucional, no usufruto pleno dos seus direitos e das suas faculdades humanas.
    Temos o direito a não acreditar nas patranhas de um José Rodrigues dos Prantos, de uma Ferra Aveia e de outros mentecaptos que tais, como um Isidro Mortais.

    • Quanto à essência da política e do modus operandi de Israel, da ideologia do Estado e das suas linhas condutoras, diretrizes, alianças, existe o lado secular e o lado religioso, mas é o lado secular que molda Israel por aquilo que é desde que foi (re)fundado, graças ao movimento sionista, de cariz secular e surgido em finais do século XIX, com o alto patrocínio dos Rothschilds e de outros oligarcas e com a complacência da ONU e outras organizações, que rapidamente a tornaram um caso de excepção desde a origem, acomodando atropelos ao direito internacional e aos direitos humanos, situações cruéis e desumanas. A religiosidade aqui serviu apenas de pretexto, funcionou mais como agregadora de uma identidade nacional, não foram os líderes religiosos que promoveram a ocupação e os colonatos na Palestina, e sim os sionistas e seus mecenas, e os seus agentes politizados.
      Após a Shoá (Holocausto) na Europa, tinham o pretexto e a justificação para reforçar a necessidade do Estado Judaico, que até já tinha sido ponderado noutros locais, como Madagáscar, Angola, etc. Depois foram os poderes fácticos a fazer o que tanto gostam, engenharia social, arquitectura do caos, para daí extraírem uma nova ordem, limpezas étnicas, genocídios.
      Os nossos órgãos de comunicação social gostarem muito de usar o alegado massacre de Bucha, enquanto evitam tocar nas atrocidades dos israelitas e fazerem delas exemplos repetidos como teasers de propaganda, mostra a parcialidade e o seu fim último, manipular a opinião do público. Não interessa demonizar os israelitas como fazem com os russos, para fins de propaganda e desinformação. Ainda por cima quando o Presidente dos “Afectos”, o “Dissolvente”, disse desde logo que eram todos Israel e os Palestinos é que tinham começado, desta vez… os agentes de desinformação e propaganda seguiram estas diretrizes, assim como o PR seguiu as que lhe eram atribuídas pelo e para o status quo, que não é para se questionar ou pôe em causa, ou sequer expôr.

  9. O problema e que foi justamente isso que a autora fez. Talvez para se limpar um pouco da defesa da população de Gaza e criticar a atrocidade que foi matar médicos e enterrar os desgraçados juntamente com as ambulâncias, mais uma atrocidade que ultrapassa todos os limites, nem os nazis foram capazes de tal coisa, em regra poupavam os médicos o mais possível em vez de os transformarem em alvo prioritário para que não pudessem tratar os feridos, tratou de lembrar “atenção, mas eu acho que a União Soviética era um Mal, o Irão e um Mal, Putin e um Mal”.
    Ora, nenhum desses precisa de mais ninguém a chamar lhes nomes ou clamar a sua destruição.
    O Irão até já teve o Paulinho das Feiras a garantir que o país já tinha armas nucleares prontas a disparar certamente para justificar que Israel, que as tem, lhes despejasse umas quantas para cima.
    Para defendermos Gaza que, como bem disse Guterres, está a ser transformada num “campo de extermínio”, para criticar o homicídio de Israel, a sua religião supremacista, não interessa se mais ou menos secular, o nosso apoio descarado a um genocídio, não precisamos de andar a dizer que também achamos que o Putin e um malandro e que na União Soviética se calhar até comiam criancinhas.
    Compreendo que e difícil defender a Palestina e que se calhar e preciso usar proteções destas, tipo, atenção, eu até partilho os vossos desafetos, mas por favor, a situação em Gaza e mesmo um caso a parte.
    E e. Pela impunidade que demos a Israel. Que aliás foi a mesma que demos aos nazis ucranianos.
    Que teriam feito no Leste do país exactamente o mesmo se a Rússia não tivesse finalmente acordado.
    Será que era um paladino do Bem o cérebro da queima de dezenas de pessoas vivas em Odessa?
    Ou o que garantia que “os meus homens alimentam me com o sangue das crianças que falam russo?”.
    Não precisamos de ignorar essa canalha e chamar nomes a quem a combate para nos lembrar mos que Israel se alimenta do sangue de crianças palestinianas, e também libanesas ou sirias desde que achamos boa ideia despejar lá hordas de fanáticos alguns dos quais nunca tinham vivido na Europa.
    Por isso talvez tenha exagerado ao mandar a senhora ir ver se o mar da choco mas talvez não lhe fizesse mal um passeio a beira mar a meditar se e mesmo de levantar a voz contra genocidas que quer fazer.
    Porque se e, não precisa de insultar quem se opõe a estes bandos e já tem exércitos de comentadores para o fazer.

    • O que eu quis dizer foi o seguinte: o que Alexandra Lucas Coelho escreve sobre Gaza, a Palestina em geral e o desgosto/nojo que lhe merecem as posições dos “nossos” dirigentes é correctíssimo. Correctíssimo no conteúdo e perfeito, diria mesmo belo, na forma, combinação que lhe multiplica a eficácia. Os palestinianos precisam disso, “advogados” assim ajudam a sua causa. Quanto ao que ela escreve sobre a Rússia, Putin e o Irão, estou em completo desacordo. Se um dia puder expor-lhe o motivo do meu desacordo, fá-lo-ei certamente. O que me parece não só inútil como prejudicial para a causa palestiniana é morder as canelas de quem na sua defesa é tão sincero, corajoso e eficaz como Alexandra Lucas Coelho. Como diria o Diácono Remédios: “Não havia nexexidade!”

  10. A única coisa que a situação da Ucrânia tem em comum com a de Israel é que ambos recebem rios de dólares e euros e autênticos arsenais de fazer inveja a muito país dito desenvolvido, assim como logística interminável e ainda sanções que recaem sobre o seu vizinho, num caso a Rússia, no outro a Palestina (Gaza, Cisjordânia, Jerusalém, fora todos os territórios que foram anexados desde a instalação do Estado Israelita na Palestina).
    Israel como estado independente é até mais antigo que a própria Ucrânia, que só com a dissolução da URSS em 1991 o conseguiu. Há cem anos nenhum destes estados tinha existência própria, e cada um, no seu próprio contexto geopolítico e histórico, com carácter próprio e muitas diferenças entre si, e também alguns pontos em comum, como a presença dos ashkenazi ou asquenazes (em português) quer na antiga Ucrânia (que foram inclusivamente vítimas de pogroms, limpeza étnica e genocídio, juntamente com polacos, ciganos e outras etnias, mas destacadamente perseguidos e chacinados), quer na formação de Israel, quando imigraram em grandes números para a Palestina depois do fim da II Guerra Mundial, a partir de 19547-49.
    Mas se num país, na Europa, foram vítimas de genocídio, no Levante tornaram-se eles próprios executores e carrascos de todos os que os impediam de constituir o seu próprio Estado, baseado na sua religião e que segrega em função desta, apesar de conter uma componente laica institucional, que é tão ou mais materialista, sanguinária e assassina que muitas correntes religiosas do Judaísmo, algumas das quais renegam a ideia de Estado Israelita e expõem pelo que é o Sionismo, que é a ideologia fundacional do Estado de Israel- Não se trata apenas de fanatismo religioso, uma vez que nem todos os judeus religiosos (mesmo os ortodoxos) partilham dessa sanguinolência assassina, desumana e misantrópica. É uma ideologia de supremacia, supostamente idealista, mas na prática totalmente materialista, sectária e secular e terrena, de posse, controlo e poder de facto, com muito pouco de espiritual. Judeus ortodoxos denunciam e renunciam o sionismo por isso mesmo, descaracterizar o judaísmo.
    Quanto ao tema do texto, que não devia ser confundido com outras situações, porque o que se passa na Palestina não tem paralelo em lado nenhum, relembro que os carregamentos de armas, o apoio militar (ainda recentemente quando a “cúpula de ferro” foi posta à prova e tiveram de ser americanos, ingleses e franceses, além da Jordânia, a dar cobertura extra para que os mísseis enviados pelo Irão em retaliação às operações israelitas contra iranianos no Líbano e no próprio Irão, e não aos Palestinos, que praticamente representam o paradoxo de serem eles o David contra o Golias, com o auxílio distante de pouco mais que os Houtis do Iémen, e as vozes de muitos cidadãos do mundo que porém têm pouco impacto nos programas governamentais, nos “grandes líderes mundiais”, que parecem fazer ouvidos mocos à “opinião pública” que “não acata as regras da civilidade, da moderação e do politicamente correcto” que foi imposto às “democracias”, uma das quais o próprio estado de Israel, que dizem “partilhar os nossos valores e princípios judaico-cristãos”, e ser a “única democracia do Médio Oriente”. Já com a Ucrânia o discurso de relações públicas vigente na Comunicação Social de massas é semelhante, mas ainda mais empenhado. Até Zelensky é usado nas suas origens judaicas para asseverar que o neo-nazismo e o fascismo na Ucrânia não existem, e todos os Wolfsangel, Totenkopf e demais simbologia rúnica e alusiva às SS são meras modas de gente apolítica, tão apolítica que Zelensky já proibiu os partidos que essa malta toda perseguiu e torturou, e falar russo deixou de ser oficialmente tolerável, além de poder gerar problemas a quem o faça e seja ouvido por esses senhores apolíticos e a polícia do regime.
    Portanto, para não se misturar alhos com bugalhos, convém saber separar os temas, até porque a Ucrânia tem muito tempo de antena, advogados de defesa, propagandistas, papagaios, avençados, movimentos políticos e financeiros, militares e comerciais, e idiotas úteis a tocar nesses temas e a funcionar como amplificadores e câmaras de eco, catalizadores e fornecedores, alguns 24 horas por dia.
    Já os pobres palestinos, como a própria autora sabe melhor que ninguém e reconhece neste texto, não têm nada que se pareça com isso, e ainda recebem respostas tortas dos Marcelos desta vida, como por exemplo “desta vez foram vocês que começaram”, ou antes, “Somos todos Israel”. Portanto, motivos para termos vergonha dos políticos que nos representam não nos faltam, e não é por serem todos solidários com o Zelensky e CIA ou com o al-Julani que devemos atenuar ou usar eufemismos para os caracterizar pelo que são. Não têm moral sequer para falar em Direitos Humanos porque não têm vergonha e são sabujos, medrosos, interesseiros, corruptos. Ética já se viu que não valorizam, bem pelo contrário, já nem é motivo para darem respostas aos cidadãos, quanto mais para apresentarem a demissão… poucos têm a humildade de o fazer, pois deixam-se capturar facilmente nas teias e nos enredos e nos guiões dos que puxam os cordelinhos.

    • *(ainda recentemente quando a “cúpula de ferro” foi posta à prova e tiveram de ser americanos, ingleses e franceses, além da Jordânia, a dar cobertura extra para que os mísseis enviados pelo Irão em retaliação às operações israelitas contra iranianos no Líbano e no próprio Irão, não a sobrecarregassem e vulgarizassem)

    • *Quanto ao tema do texto, que não devia ser confundido com outras situações, porque o que se passa na Palestina não tem paralelo em lado nenhum, relembro que os carregamentos de armas, o apoio militar (…), foram destinados aos Israelitas e não aos Palestinos, (…)

  11. Muita indignação mas toca a meter o pau em que não se verga aos ditames da Europa e Estados Unidos.
    Talvez não houvesse um regime dos ayatollahs se a Europa e os Estados Unidos, em nome do controle dos recursos petrolíferos do país não tivesse destituído um primeiro ministro decente e posto lá um passado dos cornos.
    E foi também para garantir o controle de recursos que se criou o monstruoso estado de Israel.
    Qual complexo de culpa qual conho. Se tal coisa tivesse havido tinham também dado uma terra aos ciganos ainda que não conste que esse povo creia que Deus lhes deu a terra de alguém e o direito divino de os matar a todos.
    Que e o que move os fanáticos israelitas desde que os desejamos lá.
    Continuam com a mesma crueldade e desprezo pelas vidas de outros povos de há quatro mil anos atrás. Por isso a sua crueldade e tão difícil de entender a não ser para a cambada de psicopatas que manda nisto tudo ou gente como a Ferra Aveia.
    Putin já não seria decerto o Mal para muito boa gente se tivesse vendido o seu país como Ieltsin o fez.
    Já agora, Herr Zelensky deve ser um santo senhor.
    Enfim, sempre poderá a senhora ir ver se o mar da choco.

    • Deitar fora o menino com a água do banho nunca foi boa ideia. Os palestinianos precisam de todas as vozes que por eles se disponham a gritar. Para “puros” sem mácula já lhes bastam os eleitos genocidas.

      • Mas quem parece que é «pura», com a denúncia que faz de faz de tudo e mais alguma coisa, desde a ex-URSS ao Irão, passando pelo Putin (esqueceu-se, curiosamente, da «prata da casa», Salazar), é a senhora. Tudo malandragem, mesmo um Irão apoiando a causa palestiniana!

  12. Gente que pensa e gente que sente. É um consolo poder ainda “tropeçar” em gente assim. É um desespero ter consciência da sua (crescente) raridade. Nada mais me ocorre depois de ler o texto da Alexandra Lucas Coelho e os dois comentários anteriores.

  13. “…olhem nos olhos das vossas crianças.”
    Desgraçadamente, o que é que um arlequim destes, um “triteiro” conseguirá ver nos olhos das nossas crianças? Ele, que “cortei relações com o meu filho”… Isso existe, cortar relações com um filho?
    Ele que declara aos microfones da CS … “o meu neto preferido” … Preferido? E o outro?
    O nosso problema é, também, vivermos com gente que não arranjou tempo para ser gente.

  14. Não é um texto, não é um pensamento, é um grito de desespero que ficou a ecoar no silencio da minha leitura! Obrigado

Deixar uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.